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Aceitar a nossa Mortalidade

  • Foto do escritor: Sofia Caessa
    Sofia Caessa
  • 7 de jan. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 26 de jan. de 2021

Vivo uma vida improvável.

Uma vida que desafia o racional e o lógico. Uma vida que desafia os clichés e todos os expectáveis.


Vivo uma vida encostada à minha mortalidade.


Gosto muito de viver a vida, a minha vida. Mas, para a viver da forma mais leve, tive de aceitar a minha mortalidade como algo bonito. Durante anos vivi cheia de medo da morte, a fugir disso, como se fosse capaz. Por mais que corresse, olhava para trás das costas e via a minha mortalidade. Olhava para esta sombra em total pânico. Um dia a morte vai apanhar-me.


Agora vejo a morte de uma maneira totalmente diferente. E essa mudança de perspetiva fez com que eu começasse a ver a vida de outra forma.


Agora imagino a vida como uma grande viagem, uma aventura incrível.

Uma viagem semelhante a percorrer continentes inteiros sem destino, sem mapa, com pouco dinheiro. É extraordinário, mas perigoso, cansativo, desafiante. A vida é assim!


E imagino a morte como um regresso a casa. Vou poder aninhar-me no colo de… Deus, talvez… E depois de repousar desta grandiosa aventura vou encher-me de energia para contar tudo. Como foi a minha aventura de vida.




Vou poder contar sobre a minha infância, o meu primeiro beijo, sobre amizades, descobertas, amores e paixões, os meus projetos. Vou falar sobre a minha família.

Vou contar sobre o dia em que fui mãe pela primeira vez.

Vou poder chorar a contar como estive doente tantas vezes e o quão causativo e medonho foi.

Vou chorar nesse colinho a falar sobre a doença do meu filho.

Vou rir às gargalhadas a contar tantos momentos deliciosos.

Vou sorrir de orgulho ao contar sobre as vidas que os meus filhos terão construído.

Vou poder contar como me senti da primeira vez que tive o meu neto nos braços.


E vão sussurrar-me ao ouvido: Tiveste uma vida extraordinária. Tu és extraordinária.


E eu vou sorrir de gratidão porque vou saber que a minha vida foi mesmo extraordinária e uma incrível bênção.

Ainda tenho milhões de momentos para viver nesta minha aventura. Mas agora vivo esta minha vida a saber que um dia, daqui a muitos e muitos e muitos anos, vou ter um colinho especial à minha espera.


Janeiro 07, 2021


 
 
 

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