As Montanhas da Vida
- Sofia Caessa
- 22 de jun. de 2020
- 2 min de leitura
Acredito que a vida é como uma cordilheira, composta de pequenas e grandes montanhas, de pequenos e grandes desafios. Todos nós, em qualquer altura da nossa vida, passamos por desafios. Algumas pessoas só sabem o que são os pequenos desafios, outras só sabem o que são os grandes desafios. Mas uma montanha não deixa de ser uma montanha. Por mais íngreme ou arriscada que a montanha seja, a montanha não deixa de fazer parte da natureza. Algumas montanhas custam muito a escalar, tanto que às vezes queremos desistir. Algumas provocam-nos sofrimento físico e emocional.
Mas quando chegamos ao topo da montanha é-nos oferecida uma vista magnífica- a vida! O esplendor da vida! A simplicidade de estarmos vivos. É importante que, enquanto escalamos estas montanhas, não estejamos só focados em escalar, mas que nos permitamos olhar à nossa volta e apreciar a beleza da própria montanha, a beleza da natureza, a beleza da vida. Podemos sentir felicidade enquanto escalamos estas montanhas. Podemos sentir felicidade e sofrimento ao mesmo tempo. Eu posso sentir felicidade ao mesmo tempo que acompanho a evolução da doença do meu filho. Posso sentir felicidade nos pequenos momentos, nas pequenas conquistas. Esse pedaço de felicidade não vai negar o quão doloroso é ser mãe de uma criança com cancro. Sentir essa felicidade neste momento não é egoísmo, é ter a coragem de oferecer ao meu filho a vista magnífica do topo da montanha, levando-o às minhas cavalitas para ele conseguir avistar já essa beleza. Sentir felicidade em momentos de desespero, angústia, medo, incerteza, é um ato de coragem, de fé, de amor, de gratidão. Estou grata por ter as minhas montanhas para escalar, por ter fé que no topo destas montanhas a vista é deslumbrante e o sol brilha com uma intensidade especial.
Junho 2020



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